União das Freguesias de Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena

História

Julga-se que o território que é hoje ocupado pelas três freguesias que corporalizam a cidade do Barreiro, Verderena, Barreiro e Alto do Seixalinho, fora povoado inicialmente a partir do planalto onde se situa o Hospital Distrital do Barreiro, estendendo-se posteriormente até aos rios Coina e Tejo, onde os primeiros núcleos se desenvolveram.

O passado histórico do Alto do Seixalinho está ligado ao conjunto de arquitectura que o Convento da Madre de Deus da Verderena representa, à sua economia campestre em divisão por quintas de altíssima qualidade e por fim à sua transformação urbana desde que, a escolha do Barreiro para terminal da linha do Sul e Sueste trouxe em 1861 o desenvolvimento económico e social, crescendo com a instalação da indústria corticeira e posteriormente com as fábricas da CUF, tornando-se na mais populosa freguesia do concelho do Barreiro.

Em meados do século XIX os três Altos: Seixalinho, Silveiros e Paiva, ligavam-se ao Lavradio e eram propriedades rurais, trabalhadas por um povo agrícola de que faziam parte médios proprietários que cultivavam a vinha e a agricultura em geral.

Cerca de centena e meia de propriedades agrícolas dispersavam-se por todo o território. Algumas dessas propriedades foram amputadas nos finais do século XIX para o Caminho-de-ferro que divide as freguesias do Alto do Seixalinho, com as do Barreiro e do Lavradio. O desenvolvimento com a chegada com comboio retalhou-as e o resto foi com o tempo.

A partir de então, esta zona que compreende a Paiva, os Casquilhos, a Verderena Grande e o Alto dos Silveiros, foi influenciada pelo trote do progresso. Dada a relativa proximidade dos locais de trabalho, sobretudo das oficinas dos Caminhos-de-ferro e da Companhia União Fabril, irá desenvolver-sde aceleradamente.

No princípio do século XX predominavam as casas abarracadas, isoladas, disseminadas por pequenos talhões de agricultura. Toda a área que corresponde hoje ao território da freguesia irá sofrer um aumento populacional significativo e constante, registando-se um aumento acelerado nas décadas de cinquenta e sessenta por via da expansão da CUF.

A Quinta dos Casquilhos foi transaccionada em hasta pública, mudando de dono em 1902. Tinha na zona rústica horta, vinha, olival, pinheiros dentro de um pequeno bosque. Um poço com nora e moionho automático para regar a horta, poço e tanque com bomba para regar o jardim, tanque para lavar roupa e mina com regadores. Este é um paradigma do mapa rústico desta freguesia.

No início do século XX, as terras que ficaram fora dos terrenos adquiridos pelos Caminhos-de-ferro mantiveram as características rurais do passado, mas lentamente aquela estrutura foi-se transformando. A freguesia caracteriza-se essencialmente por ser hoje uma importante área urbana. A mais populosa do concelho do Barreiro com cerca de vinte mil habitantes. Esta nova freguesia não reflecte hoje em dia no seu tecido urbano qualquer vestígio do que fora outrora. A transição num curto espaço de tempo, de zona ruaral, no passado recente, onde predominavam as quintas de boas terras agrícolas, numa urbe cosmopolita e densamente habitada, originou carências estruturais, ao nível social, cultural, desportivo e de lazer.

Às terras que foram grandes propriedades rústicas, acorrem gentes do sul para o trabalho agrícola, mais tarde ocupadas pelos que, atraídos pelo emprego na indústria corticeira e do Caminho-de-ferro ali chegaram. Na ascenção da CUF esta zona sofreu uma ocupação mais apressada de gente do norte que se empregara naquela empresa. Mais recentemente uma parte da actual população emigrou da grande Lisboa à procura de um alojamento mais condigno e economicamente mais acessível.

A freguesia beneficia de acesso fácil a todos os meios de comunicação, utilizando uma rede de autocarros propriedade do município que garante uma qualidade de transportes superior aos transportes privados das cidades que os têm nestas condições.

O comércio na freguesia saltou imparável as raias da fronteira do comércio feirante de ritmo lento da produção rural para o ritmo vertiginoso deste tempo contemporâneo, onde se destacam as actividades dos Serviços, depois de ter passado por uma industrialização crescente.

A parte substancial da sua população trabalha para além das suas fronteiras. Por isso a movimentação populacional é elevada logo de manhã até ao escoar da luz solar. O parque habitacional é diversificado e corresponde às diversas épocas de migração populacional nas suas várias fases de fixação. São essencialmente construção privada para alugar no intuito do rendimento. A habitação social também tem a sua expressão. Aqui forma construídos os bairros sociais da Câmara Municipal, da CUF, da Caixa de Previdência e da Guarda Fiscal.

É também nesta freguesia que estão implantados vários equipamentos de ensino e de saúde, diversos consultórios particulares, alguns de medicina especializada, postos de análises e exames radiológicos, farmácias, um posto regional de saúde e em especial o Hospital Distrital, não faltando também serviços bancário, correio, telefone, o Tribunal da Comarca e a Misericórdia do Barreiro.

Todo este ritual de crescimento colocou algumas dificuldades, ainda por superar nas áreas da cultura, minimizando com a extraordinária recuperação do Convento da Verderena e dentro dele a sua biblioteca, e no desporto com a falta de equipamentos desportivos para a população se recrear.

As associações desta freguesia têm características diversas, e vão da solidariedade dos deficientes auditivos aos Amigos Alentejanos, passando pela organização sindical policial e o tradicional Rancho Folclórico.

Não é rico o património histórico do Alto do Seixalinho, está praticamente reduzido ao Convento da Madre de Deus da Verderena, em compensação tem um excelente património humano, de gente anónima que desde os finais do século XIX se fixara neste território, contribuíndo no trabalho e na vida social, engrandecendo com a sua participação nas colectividades a edificação e progresso da Terra Barreirense em geral e do Alto do Seixalinho em particular.

Da mesma forma que décadas atrás, aos vinhedos e pomares sucederam habitações construídas para recolher aqueles que em sucessivas vagas chegavam atraídos pelo emprego, os últimos vestígios daquele passado estão a desaparecer.

Do passado campesino resta a toponímia que progressivamente foi crescendo com os últimos espaços rústicos, dando lugar ao parque habitacional que com algum exagero se implantara.